CAMINHA
Abrangendo uma área de cerca de 138 km2, o concelho de Caminha é constituído por 20 freguesias com uma área média de 6,9 km2 (Âncora, Arga de Baixo, Arga de Cima, Arga de S. João, Argela, Azevedo, Dem, Caminha, Cristelo, Gondar, Lanhelas, Moledo, Orbacém, Riba D`Âncora, Seixas, Venade, Vila Praia de Âncora, Vilar de Mouros, Vilarelho, Vile).
Este notável concelho do Norte de Portugal é limitado a sul pelo concelho de Viana do Castelo, a norte pelo rio Minho, a nascente pelos concelhos de V.N. de Cerveira e Ponte de Lima e a poente pelo mar Atlântico.
Para chegar ao concelho de Caminha existe a A3, que através da saída de Ponte de Lima, Paredes de Coura ou Valença, permite um acesso relativamente rápido. Vindo pelo IC1, a entrada no concelho faz-se através da EN13, junto à costa atlântica, embora já estejam a decorrer as obras de construção do IC1 até Caminha. Outra opção é a utilização da via-férrea, através da linha do Minho, onde os comboios, de acordo com os horários estabelecidos pela CP, param na Estações ou Apeadeiros do concelho.
O concelho está geograficamente localizado num ponto estratégico. Encontra-se a cerca de 90 km da cidade do Porto e a 45 minutos do Aeroporto de Pedras Rubras. É possível chegar a Vigo, na Galiza, e ao seu Aeroporto, em 50 minutos. Para chegar a Espanha, desde Caminha, é ainda possível embarcar no Ferry-Boat “Sta. Rita de Cássia”, que transporta passageiros, automóveis e autocarros para o outro lado da margem do rio Minho.
A configuração geomorfológica é das mais variadas, desde as férteis margens dos rios Minho, Coura e Âncora, ás encostas de Argela, Venade, Vilarelho e Cristelo, em que o clima ameno contribui para a excelente produção agrícola, até à Serra D`Arga, cuja cota se aproxima dos 700 metros de altitude. Pode-se dizer que todo o concelho está resguardado por cadeias de montanhas, quer do sul, quer do norte, quer ainda do lado nascente.
Pode dizer-se que, em quase todo o concelho, o clima é temperado e agradável, com forte influência do ar marítimo, sempre benéfico para as culturas, pela humidade que acarreta, principalmente nos meses de Verão. A amplitude térmica média anual ronda os 15º e as temperaturas negativas raramente se fazem sentir. A precipitação das chuvas é mais intensa nos meses de Inverno, desde Outubro até Março, devido ao predomínio dos ventos marítimos.
História
Caminha é uma povoação antiquíssima. Nas imediações existem ainda vestígios de civilizações atribuídas a épocas proto e pré-históricas, como mamoas, dólmen e castros. De resto, toda a região do Noroeste da Península, e muito especialmente a bacia do Minho, ostenta várias edificações do período Megalítico. Mas a cultura dominante e que mais vestígios deixou nesta zona foi, sem dúvida, a Castreja. As casas, quase todas do tipo redondo ou ovalado, denunciam marcas da cultura pré-céltica.
Na organização paroquial suévia do séc. V aparecem os topónimos “Camenae” ou “Camina”. Quase todas as freguesias do concelho, mercê da sua situação geográfica, terão sido pontos fundamentais ao controlo do comércio dos metais que tinham que tinham de percorrer as águas do Rio Minho.
O perímetro e a configuração oval da antiga muralha obedecem às características de construção das fortalezas romanas dos sécs. IV e V. Mas do período da romanização ficaram ainda pontes, caminhos e outros monumentos.
Em 1060 I. Magno de Leão designa Caminha como sede de um condado que denominou “Caput Mini” e cerca de meio século depois, Edereci localiza “um forte castelo em ilha a montante da foz do Minho” e outro “acima do precedente em terra firme e eminente”. Isto mesmo se crê conformado nas Inquisitiones: “na colação de Sta. Maria de Caminha, em Vilarélio, se situa o velho castelo de Caminha” subordinado durante séculos à Sé de Tui. Somente a partir dos começos do séc. XVIII apareceram, nas chancelarias portuguesas, documentos de desafectação respeitantes a Caminha e povoações ribeirinhas do Minho, alguns do reinado de D. Afonso III, com notícias da edificação de mais uma torre (a do Sol), com sua porta.
Pela situação geográfica, Caminha era um ponto avançado na estratégia militar portuguesa na luta contra castelhanos e leoneses. D. Dinis mandou aumentar as muralhas e construir mais duas torres, elevando para treze o seu número (dez torres e três portas - a do Sol, a Nova e do Marques).
A 24 de Julho de 1284, outorgou aos habitantes do concelho a primeira Carta Foral.
Em 1321, criado o concelho vizinho de Cerveira, foram incluídas neste algumas freguesias de Caminha. A vila conservou-se sempre na posse da Coroa até que, em 1 de Junho de 1371, D. Fernando criou o Condado de Caminha, fazendo seu primeiro conde D. Álvaro Pires de Castro. D. João I doou-a, em 1390, a Fernão Martins Coutinho, concedendo-lhe também o privilégio de “povo franco”. Esta medida desenvolveu extraordinariamente a vida marítima e o comércio locais, permitindo também o início da construção da majestosa Igreja Matriz, em 1428. A vila é nessa altura terra prometedora. Do seu porto partem barcos para diversas partes da Europa.
A 20 de Julho de 1464, D. Afonso V fez senhor de Caminha a D. Henrique de Meneses, da Casa de Vila Real, nesta se conservando até 14 de Maio de 1641.
Nesse ano e após conspiração contra Rei Restaurador entrou na posse da Casa do Infantado até à sua extinção (1834). D. Manuel concedeu a Caminha novo foral em 1 de Julho de 1512 e ordenou a reconstrução do Forte da Ínsua, que visitou na sua ida para Compostela.
Durante e depois do período da Restauração foi criada em Caminha uma alcaidaria-mor, nomeando-se para ela, por mercê régia de 7 de Março de 1643, o 4º morgado de Barbeita, Rodrigo Pereira de Sotomaior. Foi durante o governo deste e de seus filhos, Gonçalo Afonso de Sotomaior e Bento pereira da Silva (2º e 3º alcaides-mor) que se executaram todas as obras de defesa exteriores da Caminha, iniciadas em 1642 e terminadas em 1685.
Durante a 2ª Invasão francesa, em Fevereiro de 1809, Caminha foi atacada pelas tropas do Marechal Soult. A ajuda do povo às poucas tropas do tenente-coronel Champalimaud, impediu os franceses de entrar em Caminha. Uma defesa que constitui uma página brilhante de estratégia militar.
Caminha - Presente
Caminha acarinha o turismo, mas privilegia as suas gentes. Ao longo dos anos a qualidade de vida da população tem aumentado. Têm sido melhoradas as condições de vida de todo o concelho, as infra-estruturas urbanísticas, o bem-estar social, a oferta cultural e desportiva, a actividade económica e a educação.
Em 1994 o município de Caminha fundou, juntamente com outros Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço, a Associação de Municípios do Vale do Minho (Vale do Minho – AM).
Com a nova legislação de Maio de 2003, que confere um novo modelo de reorganização do território, Caminha optou por constituir uma Comunidade Urbana com os municípios localizados mais a sul. A formalização dessa ComUrb designada “Valimar” foi efectuada a 11 de Março deste ano pelos municípios de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Esposende e, claro está, Caminha. A “Valimar” tem vindo a concertar projectos comuns, entre os vários municípios, de forma a colocar esta comunidade na rota do desenvolvimento sustentável, do progresso e da valorização do património e dos recursos ambientais, económicos e turísticos.
Sendo um concelho rico em termos ambientais, paisagísticos e usufruindo de variados e qualificados recursos naturais, patrimoniais e culturais, Caminha tem testemunhado um intenso crescimento do turismo, principalmente na época balnear. Porém, durante todo o ano, nas festividades e aos fins-de-semana, muitas são as pessoas que escolhem Caminha como destino e, cada vez mais, como local para segunda residência. Bem localizada geograficamente, Caminha encontra-se perto da Galiza, está a uma hora da área Metropolitana do Porto, e permite uma saudável e rápida escapadela da agitação própria das grandes cidades.
As paisagens que se distribuem pelos dois vales, o do Âncora e o do Coura, os rios, as praias, a Serra, o património, a gastronomia, o artesanato…são peças que constituem este verdadeiro “Mosaico de Paisagens”.