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MONÇÃO

Monção teve carta de foral de D. Afonso III datada de 12 de Março de 1261. Tornou-se célebre no decurso das guerras fernandinas, devido à enérgica acção de Deuladeu Martins, esposa do alcaide local, que conseguiu pôr fim ao cerco que os castelhanos lhe impuseram, atirando-lhes com os seus últimos víveres. É esse o motivo pelo qual ainda hoje aparece, nas armas desta vila, uma mulher a meio corpo, em cima de uma torre, brandindo com um pão em cada uma das mãos; à sua volta surge, numa bordadura, a divisa da vila, corruptela do nome da heroína: "Deus o deu, Deus o há dado".

Em 1374 a.c., Bacho filho de Semole, seguramente um grego muito importante na época, chegou à Península Ibérica com um exército e encontrando uma vila completamente destruída , reconstruiu-a e deu-lhe o nome de "Orosion" palavra grega que quer dizer Monte Santo.

Em 404 a.c. os Celtas conquistaram Monção e deram-lhe o nome de "Obobriga". Em 40 d.c. Monção era já uma importante vila romana, chamada "Mamia". Quando os romanos foram expulsos desta parte da Península Ibérica, Hermenerico rei dos Suevos, ocupou a vila em 410 d.c. restituindo-lhe o nome original de "Orosion", mas em Latim, ficando a chamar-se "Mons Sanctus". Mas esta hipótese levanta algumas dúvidas porque alguns historiadores afirmam que foram os Romanos que estabeleceram o nome de "Mons Sanctus" a Monção, aonde possivelmente teriam edificado um Monumento.

Tudo sugere que no dealbar da Nacionalidade, Monção fosse uma terra reguenga sem grande importância. Nesse tempo, a cabeça administrativa e guerreira de área estava ou no Castelo da Penha da Raínha em Abedim, ou no de Fraião, em Boivão (Valença). Monção afirma-se depois, quando, a partir de D.Sancho I, a linha de fronteira pelo Minho ganha relevo estratégico. Devia por essa altura, estar já fortificada, embora elementarmente.

Monção inicialmente situava-se em Cortes, mais tarde os seus habitantes deslocaram-se para Badim. D.Afonso III extinguiu a vila de Badim e da Penha da Rainha, para fundar a vila de Monção no local actual, que até então se chamava Couto de Mazedo. Nas Inquirições de 1258 recebeu o nome de "vila". O texto do foral dado em 1261, onde se sitam os "miles de Monçom" que têm regalias semelhantes aos de Valença, quer significar que se tratava de uma póvoa já fortificada.

D.Dinis, envolvido em guerra prolongada com Castela, em 1306 promoveu a reforma total das muralhas e o levantamento de um castelo robusto com uma torre de menagem.

Desde épocas recudas, estas terras foram palco de emocionantes episódios de cavalaria e heroísmo, que entrelaçaram o nome de Monção ao melhor da história de Portugal. Primeiro na Idade Média e depois na Guerra da Independência, foi vítima constante de quase todas as lutas em que Portugal se envolveu.

Curiosamente estas lutas têm como protagonistas as mulheres, as chamadas "Heroínas de Monção" dando o exemplo aos homens, ajudando-os, encorajando-os ou lutando a seu lado ou por eles. É o caso de Deu-La-Deu Martins, D. Mariana de Lencastre condessa de Castelo Melhor e o de Helena Peres.

O papel desempenhado por Deu-La-Deu Martins fixou-a na memória do povo de Monção, tornando-se a "Heroína" mais representativa, materializada no brasão de armas do concelho.
O brasão de armas do concelho representa em campo branco uma torre, de cujo alto sai um vulto de mulher em meio corpo, tendo um pão em cada mão e em volta pode ler-se "Deus o Deu - Deus o Há Dado".

Em termos religiosos, a abadia de Monção pertencia ao bispado de Tuy. Só em 1308 é que D. Fernandes Sotto Maior, Prelado de Tuy a cedeu a D. Dinis, que a entregou à guarda dos Templários. Em 1319 passou a ser comenda de Cristo e mais tarde foi doada a D. Vasco Marinho, Protonotário Apostólico.

Nesta vila existiram quatro conventos:
O Convento das freiras Beneditinas extinto no reinado de D. Afonso V.
O Convento das freiras Franciscanas, vendido em 1835.
O Convento das religiosas da Senhora da Conceição fundado em 1748.
O Convento dos padres da Congregação de S.Filipe Nery.

A história da Coca

Era uma vez um jovem moço de gentil disposição e de grandes forças que nasceu de pais novos e ricos, lá para os lados do oriente e a quem deram o nome de Jorge.
Desde novo se dedicou ás armas, servindo o imperador Diocleciano no seu exercício. O grande valor e coragem que demonstrava nas batalhas fizeram-no ser estimado por todos os companheiros que o nomearam seu tribuno e mestre de campo. Mas o imperador que servia moveu uma impediosa perseguição aos cristãos, o que levou o valente guerreiro a descobrir a força que levava aquela gente a preferir a morte a negar o seu Deus. Converte-se a Cristo e jurou servir a sua vontade, dando protecção e auxílio aos que dele necessitavam.
Andava um dia S.Jorge nas terras de Líbia quando escutou um grito horrendo e desesperado. Acorreu o jovem guerreiro àquele apelo de ajuda.Quando chegou junto do local de onde viera o grito deparou com um terrível animal e uma donzela. Era esse monstro um enorme dragão que tentava devorar a jovem.
S.Jorge não hesitou um segundo e, avançando de lança em punho, feriu de morte a fera assassina. Perante tal acto de bravura, a jovem, que S. Jorge vem a saber ser uma princesa filha do rei da Líbia, impressionada pela heroicidade do cavaleiro, descobre a fé do santo, vindo também ela a converter-se.
Muitos foram ainda os feitos deste santo guerreiro, desejoso de vencer o mal e fazer reinar o bem. Por esta razão o povo de Monção celebra a vitória de S.Jorge sobre Coca no dia da sua maior festa, a festa do corpo de Deus. Assim celebram a luta contra o mal e o triunfo do bem.