VIZELA
O Município de Vizela, criado pela Lei n.º 63/98, situa-se na convergência do Minho com o Douro Litoral. Pertence ao distrito de Braga e reúne sete freguesias (Infias, Santa Eulália, Santo Adrião, S. João, S. Miguel, S. Paio e Tagilde), que têm como sede a cidade de Vizela, distando 10 quilómetros de Guimarães, cidade berço da nacionalidade. Possui uma área de 24 km2, 16.460 eleitores e cerca de 21.300 habitantes.
Vizela viveu desde sempre uma paixão independentista, concentrada num ideal e numa luta, que começou em 1408 e durou cerca de 600 anos.
De destacar, em 1964, a constituição do Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela (MRCV), que lutou, incessantemente, pela elevação de Vizela a concelho, o que veio, finalmente, a acontecer a 19 de Março de 1998.
Vizela é famosa pelas suas águas medicinais, sendo há muito considerada Rainha das Termas de Portugal. Foram os romanos que construíram os seus primeiros "banhos", aproveitando as qualidades das águas sulfurosas que brotam da terra, a uma temperatura superior a 60ºc.
A cidade de Vizela é também um centro industrial, onde predomina a indústria têxtil, vestuário e calçado e possui um desenvolvido comércio.
Vizela é o pólo de uma pequena região, o Vale do Vizela, com fronteiras naturais, composto por uma vintena de freguesias atravessadas pelo Rio Vizela, de margens encantadoras, cantado por vários poetas.
Em termos de gastronomia, a região de Vizela é particularmente desenvolvida, dispondo de um conjunto de restaurantes com serviço singular. Como especialidade recomendada tem o famoso Pão de Ló Coberto, fabricado em diversas confeitarias e apresentado em Bolinhóis, doce muito apreciado em várias cidades do país, assim como na vizinha Galiza.
A nível turístico, o Município de Vizela encontra-se já integrado na Região de Turismo do Verde Minho, tendo já sido editado um roteiro sobre o turismo vizelense.
Vizela é um concelho recente, encontrando-se neste momento a dar os primeiros passos em relação ao futuro que, por sua vez, se revela promissor.
Uma Luta de Séculos
Foi no rio Vizela que começou a história deste novo concelho.
Com 40 km de curso, o rio Vizela nasce na serra de Cabeceiras, entre as freguesias de Aboim e Gontim, concelho de Fafe e distrito de Braga. Desagua na margem esquerda do rio Ave, perto da freguesia de S. Miguel das Aves, concelho de Santo Tirso e distrito do Porto.
À volta do rio Vizela, começaram a surgir as primeiras populações, uma vez que as suas margens eram muito férteis e possuíam uma grande capacidade agrícola, sendo o cultivo dos campos, até ao século XIX, praticamente a única actividade destas populações.
Vizela está integrada no Vale do Vizela, que se inicia na serra de Santa Catarina, a Norte. A Sul, faz fronteira com parte do concelho de Lousada, através da serra do Carvelo.
Foi em Vizela que começou toda a actividade económica e política desta região. As condições geográficas do Vale de Vizela desde muito cedo atraíram o homem. Como a água abundava em todo o vale, as actividades de maior relevo eram a agricultura e a pecuária.
A descoberta das águas termais
A chegada dos Romanos à Península Ibérica, no século III a.C., trouxe grandes transformações, nomeadamente para a região de Vizela, transformando por completo os hábitos, costumes e modos de vida das populações que aí viviam.
A grande transformação operada pelos Romanos nesta região foi a descoberta das águas termais de Vizela, com capacidades únicas no tratamento de determinadas doenças, entre as quais o reumatismo e as afecções das vias respiratórias.
Assim, os Romanos construíram, a partir do século I a.C., uma espécie de complexo termal, tendo surgido, à sua volta, toda uma povoação. Era aqui que as populações das diferentes classes sociais passavam horas de lazer e tentavam as curas para os seus males.
Vizela tornou-se, assim, conhecida pelas virtudes terapêuticas das suas múltiplas nascentes de água. Aqui, acorria gente de toda a Ibéria.
Outra obra com a assinatura dos povos romanos é a ponte de Vizela, conhecida por "ponte velha", e que resistiu a séculos de utilização, estando classificada como monumento nacional.
Com as invasões bárbaras, no século V, o Império Romano desmoronou-se por completo, assistindo-se à ascensão do Cristianismo, que invadiu todas as populações.
Após a Reconquista, formaram-se novos aglomerados populacionais. No ano de 607, século VII, realizou-se um concílio para a divisão do território em bispados, surgindo, assim, as primeiras paróquias portuguesas, entre as quais, Oculis, ou seja, Caldas de Vizela.
1361: Vizela foi concelho
A evolução política provocou, a partir de meados do século XI, a ascensão de Portucale, como centro de uma vasta área. O poder era exercido a partir de um centro, que começou por ser Guimarães. Vizela, como estava mesmo ao lado, aproveitou o facto para crescer e adquirir uma certa importância no contexto geral da governação do país.
O ano de 1361 foi o primeiro grande momento da história de Vizela, tendo esta alcançado a independência administrativa e formado, pela primeira vez, concelho próprio. D. João foi, assim, o primeiro governante de Vizela.
Contudo, o concelho teve uma duração efémera: 47 anos. Pensa-se que os motivos da extinção estejam ligados aos conflitos entre os poderes municipais de Vizela e os conventos minhotos de Guimarães e Roriz.
Mais tarde, nesta região, nasceu um novo concelho, desta vez com sede em Barrosas e que agrupou grande parte das actuais freguesias de Vizela.
Em Tagilde, a 10 de Julho de 1372, assinou-se um importante acordo político, o chamado pacto de Tagilde, um tratado de aliança entre Portugal e Inglaterra.
Entre o século XV e XVIII, pouco aconteceu em Vizela. Depois de um certo período de adormecimento, as termas renasceram no século XVIII. Em 1785, iniciou-se a construção, no sítio da Lameira, de uma barraca coberta de colmo, que iria constituir as primeiras instalações das termas de Vizela.
Como a afluência foi enorme, nos anos seguintes, foram construídas algumas barracas em pedra. Já no século XIX, foi dada autorização régia para a construção dos banhos, os antecessores da actual Companhia.
As actuais instalações termais começaram a ser construídas em finais do século XIX (1870). Em 1873, é fundada a Companhia dos Banhos de Vizela, que ainda hoje concede ao concelho características de turismo muito particulares e que contribuiu, de forma preponderante, para o urbanismo vizelense, dos séculos XIX e XX.
O renascer do espírito independentista
Com a criação da Companhia dos Banhos, a povoação cresce, e com ela renasce a consciencialização autonómica da população, que estava enfraquecida há vários séculos, dando origem, durante o século XIX, ao renascer da luta pela autonomia de Vizela.
A partir de 1822, efectuam-se as primeiras alterações administrativas, dividindo-se o país em distritos. Trinta anos depois, foi extinto o concelho de Barrosas, aumentando, assim, o sentimento de independência de todo o vale de Vizela.
Em 1852, a Rainha D. Maria II inicia uma viagem pelo país, anunciando a sua passagem por Vizela. Apesar da promessa, esta visita acabou por não se efectuar e os vizelenses não esconderam a sua insatisfação e revolta.
Foi a partir daqui que se intensificou o desejo de autonomia dos vizelenses, o desejo de um concelho independente de Guimarães.
Com a implantação da República, em 1910, Vizela acalentou novas esperanças na sua luta e, pouco tempo depois enviou uma comissão, a Lisboa, com o objectivo de apresentar os motivos de tão antigas reivindicações.
Assim, em 1914, Vizela apresentou uma proposta de criação do município, com 26 freguesias, a maioria desanexada de Guimarães. Doze anos depois, a mesma proposta já contemplava apenas 17 freguesias.
Naquela altura, Vizela vivia momentos de grande vigor económico, sendo a estância termal considerada uma das melhores do país, servindo de pólo dinamizador de toda a região.
Em finais do século XIX, viviam em Vizela mais de 5000 habitantes. A indústria têxtil, nomeadamente o tecido de seda, algodão e linho, era a principal actividade económica de Vizela. A indústria mecânica, da serração de madeira e a do pão-de-ló, o famoso Bolinhol, também estavam desenvolvidas.
Na altura, existiam dois casinos, que representavam uma fatia importante da economia vizelense, e algumas unidades hoteleiras, que serviam de apoio às termas de Vizela.
O desenvolvimento económico de Vizela estava à vista e os gritos de independência iam-se fazendo ouvir, cada vez mais alto.
Elevação a Vila
Em 1929, Vizela é elevada à categoria de vila, em plena ditadura de pré-Estado Novo. Mas, os vizelenses não ficaram satisfeitos e não desistiram da sua luta pela criação do concelho.
Em 1964, é fundado o MRCV - Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela, que se propôs liderar a luta pela criação do concelho.
Em meados do século XX, assistiu-se a um certo declínio das termas, contrastando com um forte surto industrial, nomeadamente nos sectores têxtil, calçado e construção civil.
Com o 25 de Abril, veio a promessa de uma nova lei sobre os municípios e as esperanças dos vizelenses aumentaram. Mas, mais uma vez, as tentativas não tiveram resultados positivos.
Nos anos 80, os acontecimentos na Assembleia da República foram acidentados. Em 1982, o Partido Popular Monárquico apresentou uma proposta de criação do concelho, mas esta foi rejeitada. O PSD também fez promessas, que não cumpriu.
Como resposta, os vizelenses boicotaram as eleições autárquicas de Dezembro desse mesmo ano.
Em 1985, foi aprovada a nova lei-quadro dos municípios, em que uma das cláusulas impedia a criação de novos concelhos, antes da regionalização.
Contudo, Vizela nunca desistiu de lutar pelos seus interesses, que viriam a ser satisfeitos em Março de 1998. Mas, em 1997, Vizela ainda sofreu outra decepção, quando, mais uma vez, viu chumbada a sua proposta e, ao mesmo tempo, aprovada a elevação de Fátima a cidade.
Aliado a isto, as relações entre Vizela e Guimarães iam-se deteriorando, pois estava no ar que o concelho de Vizela, mais cedo ou mais tarde, iria ser criado. Em 1997, foi apresentada uma proposta de lei do Partido Popular sobre a criação do concelho que, mais uma vez, foi chumbada. Mas, esta seria a última decepção dos vizelenses.
Luta valeu a pena
Em 1998, estavam na agenda da Assembleia da República, três projectos-lei de elevação de Vizela a concelho. A 19 de Março, os projectos-lei foram aprovados e Vizela era, finalmente, elevada à categoria de cidade.
Mais de seis mil vizelenses, que se tinham deslocado até Lisboa, fizeram a festa, à porta da Assembleia da República. Também em Vizela, a festa foi rija e culminou com um espectáculo de fogo de artifício, organizado pelo MRCV.
A luta valeu a pena...
O desejo concretizou-se...
Vizela era concelho!
O Feriado Municipal é a 19 de Março
Vizela tem 7 freguesias: Barrosas Santa Eulália, Caldas de Vizela São João, Caldas de Vizela São Miguel, Infias, Tagilde, Vizela Santo Adrião, Vizela São Paio.